segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Natal É ...

... Quando Um Homem Quiser


Tu que dormes a noite na calçada de relento

Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento

Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento

És meu irmão amigo

És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme

Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume

E sofres o Natal da solidão sem um queixume

És meu irmão amigo

És meu irmão Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer

Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar

Tu que inventas bonecas e comboios de luar

E mentes ao teu filho por não os poderes comprar

És meu irmão amigo

És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei

Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei

Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei

És meu irmão amigoÉs meu irmão Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um homem quiser

Natal é quando nasce uma vida a amanhecer

Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher


Letra: Ary dos Santos

Música: Fernando Tordo

Intérprete: Paulo de Carvalho

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

*** DIREITOS HUMANOS ***


Os direitos humanos são os direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos. Normalmente o conceito de direitos humanos tem a ideia também de liberdade de pensamento e de expressão, e a igualdade perante a lei.
A
Declaração Universal dos Direitos do Homem da Organização das Nações Unidas afirma: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
As teorias que defendem o universalismo dos direitos humanos se contrapõem ao relativismo cultural, que afirma a validez de todos os sistemas culturais e a impossibilidade de qualquer valorização absoluta desde um marco externo, que neste caso seriam os direitos humanos universais. Entre estas duas posturas extremas se situa uma gama de posições intermediárias. Muitas declarações de direitos humanos emitidas por organizações internacionais regionais põem um acento maior ou menor no aspecto cultural e dão mais importância a determinados direitos de acordo com sua trajectória histórica.
A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adopção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efectiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição
Extermínio

Se a vida é o bem supremo, direito fundamental do homem é o Direito à Vida.
A par da capitulação penal do crime de homicídio, a questão da protecção da vida humana ganha relevância, sob o ponto de vista dos Direitos Humanos, quando a morte de seres humanos é praticada pelo Estado ou com a conivência deste.
Assim, juntamente com as normais penais e constitucionais que garantem o Direito à Vida, há a Convenção Americana de Direitos Humanos, tratado multinacional ratificado pelo Brasil, que vincula os Estado signatários à obrigação de defender os Direitos Humanos e de reparar danos causados em casos de violação destes direitos.
No âmbito da Segurança Pública, o extermínio dar-se-á se houver execução sumária de qualquer ser humano sem as justificativas legais.
Embora de antemão condenemos com veemência qualquer forma de extermínio, não podemos deixar de dizer o quanto espinhosa é esta questão, porquanto as agruras da persecução aos meliantes e a custódia e da guarda de presos estão sujeitas aos elementos imponderáveis do momento e ao calor dos fatos, que têm de ser sopesados na aplicação de quaisquer princípios.
Assim, é imprescindível trazer a Instituição Policial Civil para esta discussão, a fim de que se possa fixar os parâmetros de um equilíbrio entre teoria prática, valores, fatos e normas.


Discriminação contra a Mulher
Tais infracções, quando envolvem pessoa de sexo feminino ou a criança e o adolescente, são atribuição da Delegacia de Defesa da Mulher.
Paralelamente à apuração e investigação das infracções penais, a DDM conta com o asseguramento do COMVIDA – Centro de Convivência para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica – integrada à estrutura da Delegacia Geral de Polícia, que dá aconselhamento e orientação às mulheres.
Instituições Engajadas no Combate à Violação dos Direitos Humanos

A rejeição aos Direitos Humanos normalmente está alicerçadas em três concepções básicas:
a da ineficácia do Direito quando defrontado com a monstruosa realidade do crime, a da impossibilidade ou da inconveniência de se garantir os direitos fundamentais daqueles que se mostraram refratários à justiça e à felicidade geral, a de que os Direitos Humanos são apenas valores, distantes dos fatos e de que a política que por eles se bate é uma luta utópica, um "Direito imaginário".


É forçoso dizer que policiais que se valem de práticas condenáveis como o tortura, costumam associar-se aos meliantes naqueles pérfidos conluios que lançam o nome da Instituição no enxovalho.
Outra coisa que deve ser dita é que os direitos e garantais fundamentais não podem excluir nenhum ser humano, por mais que este esteja longe da dignidade e da lealdade aos princípios básicos da convivência entre os homens. Tal exclusão certamente reaviva tendências fascistas existentes na Sociedade e, ao fim, acaba não poupando nem os homens de bem.
Que as ideias acima expostas não sejam confundidas com leniência ou frouxidão. Que se combata o crime com o máximo rigor: o rigor da lei e não os destemperos do arbítrio e da violência desordenada.
No tocante a validade dos Direitos Humanos como norma jurídica, direito positivo, retornemos ao início deste trabalho, no qual dissemos, seguindo Miguel Reale que "Direito é a ordenação heterônoma, coercível e bilateral atributiva das relações de convivência, segundo uma integração normativa de fatos e valores".
Da definição acima depreende-se que Direito para valer tem de ser coercitivo; tem de poder exigir uma conduta.
Havendo violação dos Direitos Humanos por parte de particulares, como já dissemos, a Polícia e a Justiça encarregam-se de repressão de suas ações.
Se é o Estado que viola as garantias fundamentais, há mecanismos de controle baseados na divisão dos três poderes do Estado, a saber, Executivo, Legislativo e Judiciário. Não há dúvida de que existe uma estreita ligação entre a defesa da separação de poderes e os direitos fundamentais como requisito sine qua non para a existência do Estado democrático de direito.
Dentro do mecanismo de controles recíprocos constitucionalmente previsto, a Constituição Federal estabelece várias hipóteses em que o Poder Executivo será controlado pelo Poder Legislativo. Compete, por exemplo, ao Legislativo autorizar o Presidente da República a declarar guerra e fazer paz e resolver sobre tratados internacionais (CF, art. 48, X e XI).
Igualmente, existe a previsão constitucional de um sistema de controles realizado pelo Poder Legislativo em relação ao Poder Judiciário, que pode, por exemplo, criar comissões parlamentares de inquérito com poderes de investigação próprios das autoridades judiciais (CF, art. 58, parágrafo 3o.).
Também existe controle do Poder Legislativo realizado pelo Poder Executivo, como a possibilidade do Presidente da República exigir o regime de urgência em projetos de lei de sua autoria (CF, art. 63). O Executivo também exerce controle sobre o Judiciário na livre escolha e nomeação dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 101); escolha e nomeação dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça (CF, art. 104); possibilidade de concessão de indulto ou comutação de penas (CF, art. 894,XII).
Por sua vez, o Judiciário realiza controles em relação ao Legislativo, tais como a possibilidade do Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo estadual ou federal (CF, art. 102, I, a).
Outrossim, o Poder Judiciário controla o Poder Executivo. O Supremo Tribunal Federal pode, até, julgar o próprio Presidente da República.
Um poder deve controlar o outro. Entretanto, curiosamente, de acordo com o artigo 129, inciso VII da Constituição Federal, cabe ao Ministério Público, que faz parte do Poder Executivo, o controle externo da atividade policial, que também faz parte do Poder Executivo. Mas, enfim, o que importa, sob o ponto-de-vista dos direitos fundamentais, é que haja controle dos poderes e das atividades do poder, a fim de que o poder não exorbite e, desta forma, se corrompa e descambe na prepotência.
Portanto, os Direitos Humanos não são apenas sanções morais e sem eficácia, mas direito positivo, normas jurídicas cuja abrangência, além de constitucional, é supraconstitucional, uma vez que o parágrafo 2o. do artigo 5o. da nossa Carta Magna estimula a incorporação de instrumentos internacionais de proteção de Direitos Humanos. A questão dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Constitucional constitui uma das facetas desse fenômeno do mundo moderno que se chama "globalização".
Se, a princípio, no âmbito internacional, a Declaração dos Direitos do Homem não possuía força jurídica vinculante, permanecendo nas raias da Moral, sem assumir foros de Direito, com o tempo, foi se robustecendo a idéia de que a Declaração deveria ser "juridicizada". Esse processo de juridicização foi concluído com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Os dois Pactos adotados pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 16.12.1966, foram ratificados pelo Brasil em 24.0l.1992. Os Pactos impõem aos Estados-partes a obrigação imediata de respeitar e assegurar os direitos fundamentais.
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, assim como as demais Convenções internacionais de Direitos Humanos possuem comitês, que exercem um monitoramento dos Estados-partes.
Os comitês não têm sanções no sentido estritamente jurídico, mas podem ensejar o chamado power of embarrassment, que é o constrangimento político e moral ao Estado violador.
Os comitês também examinam petições individuais sobre violação de direitos humanos. Tal mecanismo é chamado internacional accountability.
Além da própria vítima da violação dos direitos humanos, os comitês aceitam denúncia feita por terceiros, dando, desta forma, um papel muito ativo às chamadas organizações não governamentais (ONGs) no monitoramento dos direitos humanos em todo o mundo.
O Brasil ainda não reconhece a competência jurisdicional da Corte Interamericana de Direitos Humanos, mas, o processo brasileiro de democratização, estatui a incorporação de instrumentos internacionais de proteção de Direitos Humanos.
O combate à violação dos Direitos Humanos reafirma uma tendência do mundo contemporâneo que deita raízes nos primórdios de cultura humana. A concepção de direitos fundamentais que nenhum poder pode violar faz parte do patrimônio espiritual da humanidade. Não evitar a violação dos Direitos Humanos significa deixar o homem à mercê de forças destrutivas que são, fundamentalmente, a escalada da violência e da criminalidade e os abusos do poder econômico e do poder político.
Esse anseio de justiça, para os que crêem, vem de Deus. Para os que não crêem, vem de algo que não menos misterioso e prodigioso: a existência humana.






60 anos depois da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM


Uma iniciativa do SAM do blog Fênix ad eternum.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Poemas da aluna do 9º A






Um dia de festa!
Uma aldeia muito divertida,
Vamos conhecer…
Aqui todos os brinquedos,
Fazem questão de viver.

Nessa mesma aldeia,
Toda a gente canta, toda a gente sorri…
Com tudo isso, ganhamos energia,
Quem aqui passa é contagiado,
Pela doença da energia.

Todos estes dias são grandes festas,
Há sempre muitos motivos para comemorar,
É frequente ver toda a gente a dançar.








Segredo…


Sou uma boneca de trapos,
Trago comigo um segredo,
(pois), se me coserem a boca?
Ai, não posso falar!
Tenho cabelos como a seda,
Sei encantar,
Como um precioso tesouro.
Atravessei um mar de curiosos ??
Trago comigo uma grande amizade.










Um lugar…


Que bom seria,
Se pudéssemos um dia,
Ter um lugar só para brincar!

Ter um lugar divertido,
Muito a alegre e colorido.
Que tivesse lendas e segredos.

Nesse tal lugar muito divertido,
Muito alegre e colorido,
A que mais nenhum outro se pudesse comparar

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Origem do Universo e Einstein


Poderia Deus fazer um Universo diferente?


Por Nuno Crato

SEGUNDO UM RELATO do matemático Ernst Straus, Einstein dizia que o que realmente lhe interessava era «se Deus poderia ter criado o Universo de maneira diferente; por outras palavras, se a necessidade de simplicidade lógica lhe teria deixado alguma liberdade». Sabe-se que Einstein não era crente. Dizia que acreditava num Deus um pouco à maneira de Spinoza; acreditava que a natureza era regida por uma lógica. Não falava de uma divindade específica no sentido religioso tradicional. Numa carta recentemente descoberta, escrita em Janeiro de 1954, um ano antes da sua morte, tinha sido ainda mais claro: referia-se à ideia de Deus como sendo «um produto da fraqueza humana».
A concepção de Einstein, de traços panteístas, é partilhada por muitos profissionais da ciência. O grande físico acreditava numa realidade externa que a observação, a experimentação e a razão podem progressivamente assimilar. Via lógica nessa realidade. Nas suas Notas Autobiográficas (1946), repetiu-o: «Lá fora há este mundo imenso, que existe independentemente de nós, seres humanos, e que se ergue perante nós como um grande e eterno mistério, parcialmente acessível à nossa inspecção e pensamento».
Adoptando uma visão quase platónica, a unidade lógica do mundo físico existiria externamente. Não seríamos nós que daríamos sentido ao Universo. O sentido do Universo estaria à espera de ser descoberto. Naturalmente, esse sentido não era arbitrário. As leis físicas não podiam ser outras.
Einstein ficaria contente se pudesse conhecer alguns trabalhos de natureza matemática que, nos últimos tempos, têm vindo a tentar desenvolver a teoria da relatividade sem recurso ao célebre postulado da constância da velocidade da luz. Como se sabe, experiências muito rigorosas feitas no fim do século XIX não conseguiram detectar a mudança de velocidade da luz quando o observador se afasta e se aproxima da fonte luminosa. Muitos físicos procuraram explicações ad hoc para este fenómeno surpreendente. Einstein teve a ideia de postular que a velocidade da luz no vazio era uma constante universal e daí tirou um conjunto de conclusões revolucionárias sobre o espaço e o tempo que ainda hoje fascinam cientistas e leigos. Mas há mesmo algo de especial na luz, ou a relatividade deriva de algo de muito profundo na estrutura do espaço e do tempo?
Mitchell J. Feigenbaum, um físico-matemático da Universidade Rockefeller em Nova Iorque, acaba de mostrar (http://arxiv.org/abs/0806.1234) que todas as conclusões de Einstein se podem deduzir de princípios mais simples.

Feigenbaum volta a Galileu e ao seu célebre exemplo do navio em movimento. Dizia o físico italiano que, num mar sem ondas e dentro de um navio em movimento uniforme, um observador olharia para o cais e julgaria estar parado, sendo o cais a mover-se. Uma vez fechado na cabina, tudo se passaria como se o navio estivesse parado. Não lhe seria possível distinguir o repouso do movimento uniforme.

Estendendo este princípio de relatividade de Galileu com recurso a conceitos puramente matemáticos e esquecendo por completo a velocidade da luz, Feigenbaum redescobriu as chamadas transformações de Lorentz, que estão no cerne da relatividade de Einstein. Não é necessário atribuir um papel especial à velocidade da luz. Talvez, afinal, Deus não tivesse podido construir o Universo de outra maneira.

-«Passeio Aleatório» - «Expresso» de 15 de Novembro de 2008 - adapt.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Evangelização da Sexualidade...

Muitas pessoas afastaram-se da Igreja e a Igreja afastou-se dos seres humanos. Ficou muito prejudicada com essa atitude

Público, 19.10.2008, Frei Bento Domingues

O ano só tem 365 dias. Ao consultar os calendários mundiais, internacionais, nacionais e regionais - cívicos, políticos, religiosos -, fica-se com a impressão de que há menos dias do que propostas de celebração de tudo e mais alguma coisa. O passado dia 16 foi o Dia Mundial da Alimentação. No dia 17, consagrado à erradicação da pobreza, realizou-se também o I Encontro Nacional de Actores Sociais. Logo a seguir, dia 18, tivemos o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos e a Igreja Católica celebra, hoje, o Dia Mundial das Missões. Este domingo tem uma história.

Em 1922, Pio XI foi eleito Papa e marcou logo o dia de Pentecostes com um gesto insólito: interrompeu a homilia e, no meio de um impressionante silêncio, tirou o solidéu e fê-lo passar entre a multidão de bispos, padres e fiéis presentes na Basílica de S. Pedro, pedindo a todos ajuda para as missões. No Ano Santo de 1925, abriu, no Vaticano, uma exposição missionária mundial e publicou a encíclica Rerum Ecclesiae sobre as missões, mas o grande acontecimento foi a inesperada consagração dos seis primeiros bispos chineses. No ano seguinte, instituiu o Dia Mundial das Missões, a celebrar, em toda a Igreja, no penúltimo domingo de Outubro.
O Papa Bento XVI, na mensagem para este domingo, recorreu à notável exortação apostólica de Paulo VI, Evangelii Nuntiandi (1975), sobre a evangelização do mundo contemporâneo, sublinhando que "evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade".

Ninguém estranhará que a contemporaneidade deste Papa já não seja a de Paulo VI, embora se mantenha exacta a caracterização da missão da Igreja. O que surpreende é a fugacidade da noção de "mundo contemporâneo". Bento XVI assinou a mensagem para este domingo no dia 11 de Maio passado. Ora, a turbulência global das últimas semanas, provocada pela especulação financeira, deixou sem cobertura o contraponto que ele procurou destacar na conjuntura actual: "Vejamos mais de perto a situação do mundo de hoje. Se, por um lado, o panorama internacional apresenta perspectivas de um desenvolvimento económico e social promissor, por outro, chama a nossa atenção para algumas graves preocupações no que diz respeito ao próprio porvir do homem. Em muitos casos, a violência caracteriza os relacionamentos entre os indivíduos e os povos; a pobreza oprime milhões de habitantes; as discriminações e às vezes até as perseguições por motivos raciais, culturais e religiosos impelem numerosas pessoas a fugir dos seus países para procurar refúgio e salvaguarda noutras paragens. Quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de factor de esperança e, pelo contrário, corre o risco de agravar os desequilíbrios e as injustiças já existentes."

No Vaticano II, a Igreja Católica procurou os gestos, as palavras e as decisões que traduzissem o Evangelho de Jesus Cristo para o mundo contemporâneo. Alguns acusaram a sua visão de optimismo excessivo. Não me parece. É mais exacto dizer que foi a persistência do pessimismo acerca da sexualidade humana, retomado no pós-concílio, que mais dificultou a evangelização de mulheres e homens do nosso tempo.

Estamos a 40 anos da Humanae Vitae (1968), chamada, muitas vezes, a "encíclica da pílula". Este documento produziu um desconforto eclesial inapagável. Importa conhecer a sua génese, estudar as consequências que produziu e as resistências eclesiásticas à sua alteração. Miguel Oliveira da Silva, professor de Ética Médica na Universidade de Lisboa, acaba de publicar uma obra pioneira em Portugal que merece a maior atenção e debate (1).

Para o cardeal Carlo M. Martini (2), a Igreja deve trabalhar no desenvolvimento de uma nova cultura da sexualidade e da relação, pois esta encíclica é, em parte, responsável por muitos já não tomarem a sério a Igreja como interlocutora ou como mestra. Aos jovens dos países ocidentais, já quase não lhes passa pela cabeça recorrer a representantes da Igreja para os consultar sobre questões de planificação familiar ou de sexualidade. Muitas pessoas afastaram-se da Igreja e a Igreja afastou-se dos seres humanos. Ficou muito prejudicada com essa atitude.

Este cardeal deseja uma nova encíclica, na qual o magistério diga algo de positivo sobre a sexualidade. Ele próprio faz sugestões e aponta um método de diálogo para que, nesse documento, não sejam dadas respostas a perguntas que não existem.

No Dia das Missões, é importante ter presente a advertência de Jesus: não adianta percorrer mar e terra só para fazer prosélitos. É preciso, antes de mais, fazer da Igreja um lugar habitável para mulheres e homens, jovens e adultos, sejam eles hetero ou homossexuais. Toda a realidade humana é ambígua. A sexualidade também é terra de evangelização.

(1) A Sexualidade a Igreja e a Bioética. 40 Anos de Humanae Vitae, Lisboa, Caminho, 2008.
(2) Carlo M. Martini/Georg Sporschill, Coloquios nocturnos en Jerusalem, Madrid, San Pablo, 2008.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O AMOR É...


Sobre a crónica do frei Bento Domingues no Público de 19.10.2008 - A evangelização da Sexualidade...

(Áudio do programa)

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(Conversa com o Professor Júlio Machado Vaz)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A melhor opção é AMAR...

Deus criou o homem e a mulher para se amarem um ao outro.

O AMOR é uma alegria, como a música "All you need is love".

Ouçam a música e sintam o AMOR.

A música vai-te levar à estrada do AMOR.

O AMOR é um segredo.

O AMOR é um gesto de carinho.

No coração, a música toca com AMOR.

O AMOR é poesia, sente-se...



Moralitos - 9º A e C

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Do Sorriso


Porque todos os dias são dias do SORRISO...

Sorriso?
Chave que abre mais portas do que qualquer gazua.
Sorriso?

Presente de pura gratuidade e que sempre encontra quem o receba de boa vontade.

Sorriso?

Eco que nunca deixa de se repetir e ecoar vezes sem conta,
até apenas o ouvirmos com a alma.

Sorriso?

Luz interior que ilumina o que somos.

Sorriso?

Sorriso,
sim,
mas nunca só com os lábios:

o verdadeiro Sorriso brilha nos olhos de quem sorri.

Da Avó Pirueta, com um Grande SORRISO
19.6.2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cultivai o dom da Amizade

Deixo-vos com esta magnífica canção "Cantare Cantaras", e o convite a cultivarem sempre nos vossos corações o dom da AMIZADE. Alimentai-a todos os dias para que os laços se tornem cada vez mais fortes e inquebrantáveis.
Lembrem-se do Principezinho e da raposa e da forma notável como eles nos ensinaram a criar laços.
"O essencial é invisível aos olhos"

Obra citada: "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

BOAS FÉRIAS!

NOTA:
Moralitos,
Tenho trabalhos vossos para afixar aqui no blog. Não estou esquecida. Na verdade, o ano foi extenuante. Vou descansar uns dias para restaurar forças. Talvez ainda durante o mês de Agosto consiga postar alguns.
Beijinhos da storinha e divirtam-se muito :)
Até Setembro!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

À PROCURA DA PALAVRA

Por P. Vítor Gonçalves

DOMINGO X DO TEMPO COMUM Ano A (8.6.2008)

“Não são os que têm saúde que precisam de médico,
mas sim os doentes.”


Mt 9, 12

“Misturado” com os doentes


Da minha adolescência televisiva ficou gravada a memória de uma série da BBC sobre um médico de província que andava pela imensa região que lhe estava confiada a visitar e cuidar dos seus doentes. Cheio de uma sabedoria humilde, mais do que os (poucos) medicamentos que receitava, a sua arte era a de criar relações saudáveis, escutar confidências, espalhar um especial gosto pela vida, ajudar a encontrar soluções para o que parecia impossível. Era curta a distinção entre “doente” e “médico” e, quantas vezes, o doente encontrava dentro de si o remédio que precisava, ou médico se descobria também curado pelo doente!

Não é assim o ofício de “médico”, que Jesus assume numa refeição em casa de Mateus, quando lhe apontam o perigo de se “misturar” com os pecadores? Quem não sentiu já a diferença entre um médico que nos olha nos olhos, escuta, faz sua a nossa dor, nos ajuda a rir no meio da aflição, e se faz nosso irmão, e aquele para quem parecemos mais um “bacilo” estranho dentro de um tubo de ensaio, diagnostica sem ouvir, sabe tudo sem perguntar, e burocraticamente nos despacha porque tem coisas mais importantes a fazer? Acredito que serão cada vez menos mas, em tantos campos da vida, permanece esta lógica da “não-mistura”, do “medo” de quem é diferente ou pensa diferente, da arrogância que distancia. Não é verdade que “o pior doente é aquele que julga que não está doente”?

Uma das novidades de Jesus é a de olhar o “ser” para além do “estar”. Para Ele, o doente é alguém que “está” doente, mas não “é” doente, e por isso, vê como a pessoa é maior do que a doença, porque o seu ser está afectado mas não derrotado. Já repararam como a vida de Jesus e dos discípulos é um constante movimento? O que mais frequentemente diz aos que cura ou a quem perdoa é a palavra: “Vai”! A sua acção sanadora é apontar a vida como caminho a percorrer, como futuro a construir; ninguém é deixado em “becos sem saída”. Temos essa mesma paixão ou ainda utilizamos a culpa como “gaiola” que prende almas e vidas a erros passados? Aos fariseus, que se especializaram em fazer da vida “um inferno de regulamentos”, Jesus responde com o júbilo dos doentes e excluídos que se descobrem amados, curados e salvos!

Quantos “remédios” eficazes estão tão ao nosso alcance! Diz um amigo meu que, a algumas pessoas que o procuram, angustiadas ou zangadas com a vida, uma das terapias que sugere são longas caminhadas, descalças, na areia do mar ou na terra dos campos. Não imaginam logo Jesus com os discípulos à beira do lago? E que a caminhada pode terminar à volta de uma mesa em casa de Mateus, ou será à volta do altar, onde todos nos descobrimos sanados pelo Amor que deu a vida por nós e já não morre mais?

domingo, 1 de junho de 2008

Dia Mundial da Criança

À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves

DOMINGO IX DO TEMPO COMUM Ano A

“Ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.”

Mt 7, 25




Crianças especiais

Um grande poeta da nossa língua escreveu um dia que 'o melhor do mundo são as crianças.' E na constatação recente de que o nosso país tem já maior número de falecimentos do que de nascimentos, talvez, na ânsia de escolher 'o melhor' para nós, estejamos a errar o alvo. Claro que uma criança não é, nunca, um número ou um produto, e são preocupantes os dados de um recente estudo sobre 'a educação das crianças dos 0 aos 12 anos' que revelam a existência de 'uma grande taxa de pobreza infantil (cerca de 20%), crianças maltratadas, mal amadas, mal acolhidas pela escola.' Uma criança é o melhor do mundo porque nasce do amor e vem cheia de amor para dar!
Lembro-me de uma história de Anthony de Mello que interpela o nosso 'falar sobre as crianças': 'Três adultos tomavam um café na cozinha enquanto os filhos brincavam no chão. A conversa versava sobre o que fariam em caso de perigo e cada um disse que a primeira coisa a fazer seria pôr a salvo as crianças. De repente, rebentou a vávula de segurança da panela de pressão, e a cozinha encheu-se de vapor. Numa questão de segundos, todos estavam fora da cozinha... excepto as crianças que continuavam a brincar no chão.' Creio que o caminho não é só 'falar das crianças', é preciso 'falar com as crianças', e deixá-las falar do que sentem, pensam e vivem. É muito redutor julgar que as crianças só querem coisas; a maior parte das vezes querem-nos a nós, a nossa atenção, o nosso tempo, o nosso brincar com elas, as nossas histórias, os nossos sorrisos. Será que é isso que estamos dispostos a dar? São importantes algumas regras (como Moisés transmitiu ao povo no deserto) mas, depois, é preciso aprender com Jesus a alegria de construir. E aí não basta dar 'bons materiais', é fundamental encontrar a rocha da vida, a rocha que é o amor, a rocha que também é Jesus. Uma rocha que abre infinitas possibilidades à criatividade de cada construção, infinitas possibilidades para viver o amor e a alegria.
Às vezes pergunto-me se não andamos um pouco 'mal amados'. Muito sérios diante da gravidade das coisas e pouco deslumbrados com a 'gravidez da vida'. Muito preocupados em tornar a vida especial, quando a especialidade da vida é levar ao máximo o dom de amarmos. Quantas verdades podemos aprender com as crianças? E com aquelas que chamamos 'especiais' porque têm uma fragilidade ou limitação? Talvez nos tenhamos esquecido de quanto todos somos especiais. Como me lembraram o Fernando e a Eugénia, pais de uma criança especial: 'Por uma vez, há uns seres que nos obrigam a todos a sermos mais especiais. É isso que as torna tão especiais!'

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Dia do Corpo de Deus


Para vós meus MORALITOS, a minha oração de hoje.

Tu És a Água Viva
(Cântico da Ir. Glenda, cantado em português por Claudine Pinheiro)

Obrigada Professor Raul pela sugestão.

terça-feira, 20 de maio de 2008

“Uma forma humana de habitar o planeta”



Como muito bem nos recorda a matemática na cidadela, em a Terra, o nosso Condomínio, "PRESERVAR A BIODIVERSIDADE É PRESERVAR A VIDA NA TERRA!"
Esta é uma iniciativa interessante e, mais do que isso, importante. Um programa de reciclagem de rolhas de cortiça. Tenha gestos simples como este para melhor o ambiente.

RECICLAR ROLHAS DE CORTIÇA

A PARTIR DE 5 DE JUNHO VAMOS COLOCÁ-LAS NOS RECICLADORES

Espreite [aqui], informe-se e colabore! Gestos tão simples como este, podem fazer a diferença na qualidade de vida da humanidade!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Decálogo para melhorar o Ambiente

Depois de espaçadamente irem aparecendo aqui as 10 regras do nosso decálogo para melhorar o ambiente, aqui estão elas toda compiladas. Boas prática ambientais!

domingo, 11 de maio de 2008

Sobre o Perdão

Meus queridos MORALITOS,
O exercício que vós próprios tivestes a oportunidade de experimentar e ver com os vossos olhos, na aula, faz parte desta história. A história que vos contei enquanto experimentastes a sensação de magoar (enrugar a folha) e a necessidade de pedir perdão pelos erros e maldades (alisar a folha).
Nunca a esqueças, guarda-a no teu coração,
mas exercita-a no dia-a-dia!


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Igualdade de oportunidades

À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves

DOMINGO DE PENTECOSTES Ano A (11/Maio)

'Ouvimo-los proclamar nas nossas línguas
as maravilhas de Deus.'


Act 2, 11

Metade da Humanidade


Mais do que uma vez, ao ensinar a uma criança o sinal da cruz, escutamo-la, entre o espanto e o sorriso, dizer enquanto faz o gesto: 'Em nome do Pai, e do Filho e... da mãe'! É verdade, custa muito a uma criança esta trindade onde a mãe não está, e se fala de Alguém a quem se chama Espírito! Tanto mais que irá descobrindo nessa presença maternal feita de cuidado e desafio muitos dos dinamismos próprios do Espírito Santo. Para lá do feminino em Deus, há também neste Pentecostes espaço para um olhar inesperado, uma surpresa que interpela?

A espantosa fotografia de Augusto Brázio de uma 'mulher de 19 anos cujo terceiro filho acaba de nascer em casa' (Lisboa, Fevereiro de 2007), que ganhou o prémio de fotojornalismo de 2008, entra-nos pelos olhos e pelo coração dentro. O gesto frágil e sublime da vida que se acolhe naqueles braços não faz esquecer a realidade de pobreza e dependência que as desigualdades sociais vão criando, especialmente em bairros pobres das grandes cidades. Também nas imagens da fome e escassez de alimentos que vão correndo o mundo, já repararam como as mulheres, com filhos ou não, são as que mais aparecem a pedir um pouco de alimento? No viver de cada dia passa tantas vezes por elas este cuidado essencial e primeiro de dar de comer! E quando não há, quando uns esbanjam o que podia servir para tantos, como fica dorido o seu coração? Leio, como se recebesse um murro no estômago, um estudo das Nações Unidas citado por Matilde Sousa Franco: 'As mulheres são metade da Humanidade, realizam dois terços do trabalho, ganham dez por cento das receitas e têm um por cento dos bens' (Correio da Manhã). Quantos passos ainda tem o Espírito Santo de nos 'obrigar' a dar, quantos preconceitos e mentalidades a mudar, para que homem e mulher tenham uma mesma dignidade e um igual acesso aos bens do mundo?

Celebrar o Espírito Santo é celebrar a vida. O que ela já é, mas ainda mais, o que ela pode e quer vir a ser. Sem Ele instalamo-nos em leis e burocracias, justificamos a inércia e os privilégios só para alguns, declaramos como perfeito aquilo que ainda está a caminho. Com Ele recuperamos a alma e sorrimos mesmo nas dificuldades, gostamos dos outros e abrimo-nos ao diálogo, damos as mãos à surpresa e ao risco. Sem o Espírito Santo complicamos e ganhamos úlceras, com Ele apreciamos o que é novo e anunciamos o que é belo. Que pede o Espírito Santo ao mundo e à Igreja para esta 'metade da humanidade' que é a mulher? Como nos ouvimos e juntos crescemos a proclamar as maravilhas de Deus?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Corpo, a plena expressão da comunicação...

Comemorou-se a 29 de Abril o dia mundial da dança, hoje, o dia mundial do trabalhador. Mas, hoje é também o dia de S. José Operário.
A Igreja quis dar a este dia de acção e de festa - "A Festa do Trabalho" - uma dimensão de fé. Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a Festa de S. José Operário, a ser celebrada precisamente no dia 1 de Maio de cada ano.
Aliando estas 3 efemérides, aqui fica uma belíssima sugestão (de merecido descanso para o corpo e para o espírito) neste dia feriado por terras lusas.

Ai que vida (parte 1 e 2)



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dia da Liberdade, Revolução dos Cravos, 25 de Abril

© Luís Veloso

Vamos lá, toca a ensinar a o miúdo o que é a LIBERDADE!
Os miúdos não têm culpa... os VALORES UNIVERSAIS têm que ser transmitidos às novas gerações. Valores que a Humanidade conquistou, com tanto sacrifício como, a Democracia, a Liberdade... não se aprendem por descoberta, ou se transmitem ou se perdem. Para os mais novos e para começar, importa conhecer o significado de expressões como “A revolução dos cravos” (ver outras expressões ligadas ao acontecimento).

Semana Cultural

Terminou ontem a Semana Cultural. Para mais tarde recordar, uma mostra de Fotos da Exposição: “Os loucos anos 60”.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Um pouco da História da Humanidade e um Testemunho de Fraternidade

Em véspera de fim-de-semana, um pps para nos conduzir a momentos de reflexão sobre os VALORES da VIDA e da FRATERNIDADE. Dedico-o a todas as pessoas que fazem trabalho de voluntariado no campo da Educação, da Saúde, da Segurança... que fazem de parte das suas vidas uma doação de si próprios, do seu tempo, do seu conhecimento, da sua alegria... emprestam as suas mãos, os seus pés, a sua boca... na luta pela defesa dos DIREITOS HUMANOS, tornando a vida de muitas pessoas mais suave e mais FELIZ :-)

sábado, 12 de abril de 2008

Meninos de todas as cores III


O sangue vermelho do homem branco
Do homem negro
Do homem amarelo
O sangue é vermelho
É um sangue só.

O leite branco da mulher branca
Da mulher negra
Da mulher amarela
O leite é branco
É um leite só.

Deus pôs dentro dos homens e mulheres de aparências diferentes
Uma humanidade só:
O mesmo anseio
A mesma fome
O mesmo sonho
O mesmo pó;

O mesmo sangue vermelho
A cor da Vida
Da cor do amor.
E mais:
O mesmo leite branco da cor da Paz

A. Jorge

PS: Com um particular agradecimento ao Professor Raul Martins pelo envio deste belíssimo texto.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Meninos de todas as cores II


Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:

É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.

Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:

É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
e amarelo o girassol
mais a areia da praia.

O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:

É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.

O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.
Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:

É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.

O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:

É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.

Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:

É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.

Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.

Luísa Ducla Soares

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O caminho... o (re)encontro, a alegria, a vida...

À PROCURA DA PALAVRA
Por P. Vítor Gonçalves

DOMINGO III DA PÁSCOA Ano A (6-Abril-2008)

Eles contaram o que tinha acontecido no caminho
e como O tinham reconhecido ao partir o pão.”
Lc 24, 35

Gestos que dão vida

Não é verdade que tudo aquilo que fazemos ou vemos outros fazer fica mais gravado em nós do que muitos discursos? Todo o educador conhece a importância da linguagem não verbal, dos gestos e posições do corpo, de ensinar fazendo com quem aprende, de semear gestos significativos. Não são as ideias ou teorias elaboradas que convencem ninguém mas sentir que é vida acontecida ou a acontecer em quem comunica. Não ficamos logo fartos de quem fala como 'Frei Tomás', de quem se repete: 'faz o que ele diz e não o que ele faz'? Entristece a sua ignorância da realidade, a sua distância de quem o escuta (por pouco tempo!), o seu legalismo de dizer coisas certas que nem ele próprio segue. Não quer caminhar connosco nem pôr as mãos na massa para fazermos juntos aquilo que diz saber como é, mas nunca fez!

Sinto-me a andar para a frente e para trás neste caminho de Emaús, despojando-me das ideias de poder e vitória, exultando com Jesus a fazer tudo novo. Sou o discípulo sem nome que acompanha Cleofas e revejo estas dúvidas que as muitas paixões, e cruzes, e mortes, deixam em mim e à minha volta. E volto as escutar as palavras do desconhecido como fogo a reavivar as brasas, porque não basta ouvir uma vez o que enche a vida de sentido. Sento-me como pobre de sonhos e projectos à mesa onde agora Ele me pôs a partir o pão, e vejo-me ali partido, aprendendo (devagarinho) a dar-me cada vez mais como Ele. Vou entendendo que este fazer é Deus a fazer-me (e a estes que se sentam comigo) alimento para quem tem fome d'Ele. Descubro que tudo o que é feito com amor leva sempre um pouco (ou muito) de quem o faz. E caminhamos, ainda que trémulos, na noite cheia de luz, para dar notícia deste encontro!

As palavras estão grávidas de gestos. Pronunciem-se discursos, escrevam-se leis, compilem-se doutrinas, condenem-se infractores, mas se todas essas palavras não servirem a humanidade para criar mais vida, mais verdade, mais justiça, e mais amor, o seu destino será o pó e o esquecimento. Jesus não vence destruindo quem se lhe opõe; vence pela abundância de amar. Não reclama poder temporal; oferece serviço de libertação. Não é meigo com a hipocrisia; convida à verdade. Não se gasta em palavras; aceita o gesto máximo do aniquilamento. E é da morte que nos ensina a ressuscitar! Ensinando-nos a morrer, no caminho e na mesa, porque é aí que as palavras geram vida!

sexta-feira, 21 de março de 2008

O princípio sem fim

Ainda que as trevas proclamem vitória,
o grande segredo da noite
é estar grávida do amanhecer.

Ainda que o poder exerça o domínio,
o humilde segredo das sementes
é conterem o futuro.

Ainda que a injustiça se espalhe,
o surpreendente segredo da verdade
é quem a ama e por ela dá a vida.

Ainda que a violência esmague,
o sublime segredo da farinha
é tornar possível o pão.

Ainda que os amigos vacilem,
o firme segredo do amor
é fazer do perdão uma porta aberta.

Ainda que as lágrimas irrompam,
o sereno segredo da paz
é dar horizontes ao coração.

Ainda que as prisões desesperem,
o subtil segredo da liberdade
é quebrar todas as pedras de sepulcro.

Ainda que o fim se imponha
o feliz segredo de Jesus
é dar-nos eternidade.

Jesus Ressuscitado,
revelas o meu ser verdadeiro,
mistério total só
no abraço do Pai,
mas cheio desta certeza
de ser amado
porque me amas até ao fim.

Em Ti,
sou amanhecer
para abraçar e partilhar o que é belo;
sou semente
para morrer e dar vida em meus gestos;
aspiro à verdade
para que a vontade do Pai aconteça;
sou farinha
para que ninguém morra de fome;
quero amar
para que tudo seja milagre;
escolho a paz
para que os abraços vençam as armas;
luto pela liberdade
para que todos tenham luz;
e sigo-Te
para multiplicar os princípios
que a tua Páscoa
inaugurou no tempo!

Vitor Gonçalves

quarta-feira, 12 de março de 2008

DOMINGO DE RAMOS – 16/Mar/08

À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves

“Tiraram-Lhe a roupa
e envolveram-no num manto vermelho.”


Mt 27, 28


Viver no risco

Nunca ninguém nos disse que a vida era fácil. E ainda que a desejássemos não tão difícil como por vezes se nos apresenta, já descobrimos e desenvolvemos capacidades e dons que nunca seriam conhecidos se não precisássemos enfrentar ou ultrapassar um obstáculo. Vivemos a tensão entre a segurança e o risco, entre o conhecido e o desconhecido, entre o "já" e o "ainda não". Por isso, "demasiadas protecções", "vontades feitas imediatamente", "prémios sem conquistas", "muitos sim e poucos não", "dádivas sem responsabilidade", impedem um crescimento plenamente humano. A facilidade de hoje não gera coragem para o risco de amanhã!

A Quaresma tem-nos conduzido para a densidade dramática da Paixão e da Páscoa. Reduzem-se as palavras de Jesus e ganham força os gestos significativos: a ceia, a prisão, os interrogatórios, a condenação, a cruz levada aos ombros e nela crucificado. Creio que a consciência da sua paixão nasce do risco assumido em toda a sua vida: risco de amar o que antes era excluído, de perdoar o que já estava condenado, de salvar o que estava perdido, de alimentar o que a fome dominava, de dar vida aos que já se sentiam mortos. Risco de falar a Deus como Pai e assumir-se Filho, quando os intermediários tinham estatuto próprio, contrato de funcionários e gostavam de mostrar a superioridade em relação ao povo: eram sacerdotes e reis, e profetas (embora a maioria destes não se prendesse a uma instituição identificando-se com os mais pobres). Jesus não aponta seguranças ou privilégios aos discípulos, antes os educa nesta capacidade de enfrentar riscos pela grandeza de uma Boa Nova que renova a vida dos homens. Riscos que valem a pena, não por uma recompensa ou fama imediata, mas porque engrandecem quem os corre, e alargam os limites de uma humanidade tão "escravizada" pelas seguranças.

Como responder à violência que sentimos crescer neste nosso tempo? Como passar da paixão à Páscoa, sem risco? Fechando-nos ainda mais nas seguranças possíveis? Cada um por si, procurando um "castelo" que ninguém penetre? Assim não se vive, morre-se! É preciso correr riscos de proximidade, de valorizar laços e relações, de substituir a "baby-sitter" electrónica da televisão e dos jogos por tempo vivido em comum com actividades criativas, de criar trabalho que realize as pessoas, de educar para um consumo equilibrado que não escravize, de amar mais até ao fim. Parece impossível, não é? Ou dá jeito que pareça porque o difícil mesmo é viver no risco?

terça-feira, 11 de março de 2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

Quaresma V

À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves

DOMINGO V DA QUARESMA Ano A (9/Mar/08)

“Lázaro, sai para fora.”

Jo 11, 43

Como se fosse a primeira vez

Sempre que escuto o relato de Lázaro pergunto-me como terá sido a sua vida depois de sair do túmulo. Mais do que a filha de Jairo ou o filho da viúva de Naim, Lázaro regressa do silêncio da morte pela palavra de Jesus e retoma a sua vida. Com que olhos revê o que tinha perdido, com que gestos e palavras e sentimentos experimenta viver de novo? Com o sabor da "primeira vez" como descreve Óscar, o rapazinho de onze anos que escreve cartas a Deus nos últimos 12 dias da sua vida, nesse "pequeno-grande" livro de Eric-Emmanuel Schmitt com o título "Óscar e a senhora-cor-de-rosa"? Aí partilha connosco o segredo que Deus lhe conta: "Olha para o mundo cada dia como se fosse pela primeira vez"!

A Vovó-Rosa é uma voluntária do hospital onde Óscar está internado com uma doença terminal e que o envolve numa forte rede de afectos. Acolhendo as suas questões, enfrentando com ele a vida e a morte, convida-o a escrever cartas a Deus e a viver cada dia como se valesse dez anos. É um relato cheio de ternura e de coragem em acolher as questões do sofrimento e da morte, e ajudar-nos a descobrir como comos capazes de colocar mais vida em todas as situações. A doença e a morte não são derrotas, e é possível vivê-las com confiança como diz a Vóvó Rosa: "É preciso distinguir dois penares, Óscar querido, o sofrimento físico e o sofrimento moral. O sofrimento físico temos de o suportar. O sofrimento moral escolhêmo-lo." É a diferença entre "morrer antes do tempo" pelo medo da morte, e "viver a vida em pleno" pela confiança na vida!

Depois da samaritana e do cego, Jesus volta a não ficar indiferente aos limites humanos. Não pactua com as derrotas nem cede à tentação do "não há nada a fazer"; da decomposição extrai vida, e manda retirar de Lázaro as ligaduras de defunto. São muitos os sepulcros onde nos fechamos, ou outros nos fecham, mas de todos eles nos quer fazer sair Jesus. Sempre a trazer-nos à vida, como se fosse a primeira vez, porque é aí o lugar próprio dos homens e mulheres criados por Deus. Sempre a encher o "hoje" de esperança e confiança, de oportunidades para o amor e a reconciliação, para a dádiva e a festa. E há dias que valem anos de tão cheios os vivermos! Há eternidade nos instantes em que Jesus nos grita: "Sai para fora!" Como Marta e Maria acreditamos que "quem vive e acredita" em Jesus não morrerá? Podemos pôr à cabeceira o letreiro que o Óscar tinha: "Só Deus está autorizado a acordar-me." E Ele acorda-nos!

Sugestão: Vejo no jornal que o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, tem em cena na Sala Estúdio a adaptação desta obra com a actriz Lídia Franco. Tenho esperança de ainda a ir ver.

domingo, 2 de março de 2008

Ainda sobre a Quaresma

Jean-Dominique Bauby, director da revista francesa "Elle", aos 42 anos, foi vítima de um "locked-in-syndrome", uma doença rara que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo.


Trailer - Le scaphandre et le papillon

(adaptação cinematográfica do livro com o mesmo nome de Jean-Dominique Bauby)


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quaresma IV

À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves

DOMINGO IV DA QUARESMA Ano A – 2-Mar-2008

“O que sei é que eu era cego
e agora vejo.”

Jo 9, 25

Um piscar de olhos

Quantas vezes aprendemos a valorizar o que tínhamos, precisamente quando acabámos de o perder! Não será esse o caso do cego de nascença a quem Jesus dá a vista, mas foi o de Jean-Dominique Bauby, director da revista francesa "Elle" que, aos 42 anos, foi vítima de um "locked-in-syndrome", uma doença rara que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo. Apenas conseguia comunicar com o piscar do olho esquerdo: um piscar para "dizer" sim, dois para "dizer" não. Assim escreveu o livro "O escafandro e a borboleta" que acabei de ver magnificamente adaptado ao cinema.

Daquela prisão, que compara a um escafandro onde os pensamentos são tão dificilmente partilhados, envia-nos pequenos postais esvoaçantes como borboletas, que nos falam do amor à vida e da descoberta das inúmeras pequenas coisas que enchem de luz a nossa vida. Não são felizes os momentos religiosos que o filme documenta, muito centrados no desejo imediato de uma cura, mergulhando pouco na espantosa vivencia de Jean-Dominique. É aí que vai acontecendo o milagre invisível e pouco perceptível a quem anda com demasiada pressa. Milagre esse bem filmado quando somos os olhos de Jean-Dominique e somos convidados a entrar nos seus próprios pensamentos. Não voltou a recuperar o movimento, mas com a imaginação e a memória percorreu distâncias imensas e deixou com o seu piscar do olho esquerdo uma interpelação forte à fragilidade e grandeza das nossas vidas.

Fiquei preso àquele piscar de olho. Sinal de cumplicidade mas também única forma de comunicação de uma alma que se descobre maior do que pensava. Como a borboleta que gasta todas as forças para romper a crisálida, tantas vezes somos chamados a essa transformação. Não é fácil passar da cegueira à visão; quantas responsabilidades acrescidas, quantas escolhas novas a fazer! Não é fácil passar de uma vida (e de uma fé) utilitária ao gosto de ajudar outros a ver (até Platão o contou na sublime alegoria da caverna!) A descoberta de Jesus que o cego vai fazendo encontra a oposição dos legalistas que não se maravilham com a sua transformação. Basta-lhes a linguagem do castigo, a lei que prende na culpa e no medo quem tem sede de um Deus que salva. Por isso permanecem na cegueira e, em terra de cegos, ai de quem diz ver! Não lhe terá também Jesus "piscado o olho"? E não nos fala Deus também por um piscar de olhos?